Sintoma: Metáfora e Letra
A concepção de sintoma, conforme proposta por Lacan, se estrutura em torno de duas dimensões: o sintoma como metáfora e o sintoma como gozo. O sintoma enquanto metáfora se manifesta no jogo dos significantes, apresentando um sentido enigmático que é regido por leis intrínsecas à estrutura da linguagem. Por outro lado, o sintoma como gozo representa aquilo que se opõe à significação, evocando o incurável do trabalho que o sujeito realiza para enfrentar o real.
Dessa forma, na psicanálise, o foco não se restringe à escuta, que apenas abordaria uma das faces, a do sentido enigmático — uma prática de decifração. Em vez disso, trata-se de uma leitura do que foi testemunhado pelo sujeito em relação ao acontecimento que deixou uma marca de gozo no corpo. Ao invés de buscar sentido, o analista deve, em sua ética , promover a redução do sintoma em sua dimensão semântica decifrável. Tudo isso para no final do processo analítico, o sujeito não dependa mais de suas ilusões, conseguindo identificar a lógica do sinthoma — uma letra que fixou um gozo no inconsciente - e que possa estabelecer um funcionamento que não se sustente mais ao Nome do Pai, mas que seja uma nova forma de lidar com a falta sem endereçamento ao S2.
Palavras-chave:sintoma, metáfora, restos sintomáticos, sinthoma, letra, gozo.
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