Sessão clínica - FCL Aracaju 2026
Escrita e transmissão do caso clínico em psicanálise
Coordenação: Alba Abreu
Objetivos:
Ementa:
A clínica do caso parte do fato de que ela põe em xeque todo saber pré-existente. Constata-se ainda que a clínica do caso é outra coisa que a clínica da estrutura. Ela não a exclui, mas vai além.
A clínica da estrutura visa distinguir, nas manifestações do inconsciente, o que pertence a uma estrutura clínica ou a outra. A clínica do caso visa a singularidade.
A clínica do particular designa o elemento comum em um conjunto. O caso é a passagem do particular para o singular. Todo mundo tem um sintoma, mas cada um sofre dele à sua maneira. O sintoma é particular no sentido de que se conecta a uma estrutura clínica. A singularidade é outra coisa. Ela é determinada pelas marcas de gozo infantil; elas estão sempre fora da norma. E a análise é o que programa um saber-fazer com essa exceção.
Nesse sentido, em uma psicanálise passa-se de uma singularidade mascarada pelas identificações do sujeito a uma singularidade revelada. Quanto à fantasia, é como cada um responde ao desejo do Outro. Nesse sentido, a fantasia pertence ao particular. É o que funciona como suporte do sujeito. É o particular de um desejo em sua relação com o universal. A questão é a do uso do particular e do singular na experiência de uma análise e qual é a tradução natransmissão pelos analistas.
Notemos desde já que, nos comentários dos casos apresentados nas estruturas de ensino, o particular concerne à clínica do sujeito. Ela consiste em captar os significantes de que um sujeito se serve para se fazer representar e assim situar-se em sua existência. É verdade que, para capturar esses significantes, é preciso passar pela maneira como o sujeito ordena os significantes de sua história. Isso levanta um risco: o de não cair, na transmissão de um caso, no romance familiar.
O caso em psicanálise não é a história do sujeito completada pela história das gerações precedentes. O romance funda-se no mito. É outra coisa fazer emergir o que um sujeito tem de mais real.
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